Por Marina Figorelli

A realidade das pessoas hoje é a agitação do dia a dia, o tumulto. Não ter tempo é normal e qualquer artifício que pode poupá-lo é muito valorizado e propagado. Assim chegaram os aplicativos, que visam facilitar alguns afazeres diários. Um dos maiores nichos de aplicativos são os de delivery de comida e bebida. Essa entrega domiciliar sempre foi feita, mas antes o pedido era feito por meio de um telefone. Com a chegada dos mais variados apps para essa função, o serviço foi fortemente impulsionado e hoje é uma potência.

Mais de 59% dos brasileiros pedem comida em casa e 75% ainda pedem bebida para acompanhar. Um número muito alto considerando que a informatização ainda é recente. O primeiro aparelho celular chegou no país em 1990, mas com funções ainda muito limitadas e atingiu em média 660 pessoas apenas. Porém, apenas um ano depois, o número subiu para 6700 pessoas que possuíam a, na época considerada nova, tecnologia. E nesse momento os aparelhos ainda não eram smart’s.

Os telefones realmente se destacaram com a chegada dos smartphones, com produtos da linha BlackBerry, em 2002, que eram conectados à internet e tinham capacidade de enviar e receber e-mails, fomentando grande interesse no meio corporativo. Visto a grandiosidade do sucesso, a Apple lançou em 2007 seu primeiro Iphone, hoje altamente conhecido no mercado. E logo depois o Google criou seu celular com sistema operacional aberto Android. Propiciando ainda mais o aumento do número de aparelhos no mercado.

Hoje, a quantidade de celulares ultrapassa a marca de 197,53 milhões no país, algo impressionante visto que a quantia excede o número de habitantes, estimada em 192 milhões de pessoas de acordo com o IBGE. É inegável que o mobile ganhou e ganha cada vez mais espaço no mundo tecnológico, muitas funções que antes só o computador fazia, agora são facilmente substituíveis por um aparelho menor e mais prático.

Os apps surgiram para contribuir com a vida tecnológica e conquistar mais pessoas por todas as funções possibilitadas.  No ramo da alimentação a mudança pode ser facilmente notada, as empresas criaram seus próprios aplicativos e também anunciam em outros que servem como cardápios para os clientes. Acompanhar o “boom” tecnológico hoje, é essencial para qualquer empresa.

Muitas pessoas e até famílias consomem pelo menos uma vez na semana por esses aplicativos de comida. Se tornou uma rotina para muitos, além de ser muito cômodo. Como é o caso de Bruna Rocha, 21 anos, estudante, que faz uso de aplicativos de duas a três vezes por semana. Um hábito criado desde que era criança por seus pais, que com a agenda muito cheia de compromissos por causa do trabalho excessivo, não possuem tempo de cozinhar sempre.

Desde pequena Bruna foi acostumada a pedir comida, cresceu nesse meio, porém antes o serviço era restrito ao telefone. “Facilitou muito a chegada de app´s com essas funções, pois eu odeio falar ao telefone e antes sempre precisava que alguém pedisse para mim”. Hoje ela acha muito mais prático e diz que teve sua rotina extremamente facilitada.

É muito comum esse tabu que algumas pessoas têm de falar ao telefone. Muitas realmente detestam se submeter a uma conversa, mesmo que curta, por meio do aparelho. Os motivos para esse bloqueio podem ser vários, mas a certeza é que o mundo virtual chegou para facilitar a interação para esses tipos de pessoas e é muito bem-vindo. Além da praticidade de ser uma tarefa que pode ser mutuamente realizada.

Quando se usa o aplicativo, várias tarefas podem ser realizadas mutuamente, não é algo que exija completa atenção e foco, diferente do telefone, que prende a pessoa àquela tarefa. A necessidade da rapidez, da mutualidade em exercícios é vista como necessária hoje, o excesso de afazeres exige essa habilidade do século XXI.

“Eu chego da faculdade extremamente cansada e sem tempo de realizar qualquer tarefa que não esteja já no planejado. Preciso organizar meu material para o dia seguinte, me alimentar, fazer os trabalhos pendentes e ainda conseguir milagrosamente dormir cedo para acordar e ir trabalhar disposta”. Essa é a vida da Márcia Zappa, 21 anos, estudante. Ela cursa direito no período noturno e além disso ocupa suas manhãs e tardes com dois estágios diferentes. Além do tempo e disposição serem escassos, sua aptidão para a cozinha é mínima, e pedir comida é a única solução.

Morando sozinha e, de acordo com ela, “péssima na cozinha”, prefere ter um gasto maior comprando comida via delivery. Outro grande público dessa vertente virtual são os jovens que possuem uma vida conturbada entre estágio, faculdade e as demais tarefas do cotidiano. A possibilidade de cozinhar é quase nula, pois é uma tarefa que exige disposição e certa habilidade.

Em média, o tempo que se gasta cozinhando, varia de 40 a 90 minutos quando são refeições simples. Com a opção de pedir comida pronta em casa, esses minutos poderiam ser utilizados para outra função, ganhando tempo para realizar outras obrigações do dia a dia.

Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL), o ritmo de crescimento no faturamento no número de aplicativos de delivery é de R$ 1 bilhão a cada ano, crescimento superior a 12%. É um mercado que só tende a crescer, sem previsão de baixa, pois ainda não existe um serviço que possa substituir essa demanda. O que ocorre é de alguns app´s obterem sucesso e outros não.

O grande “boom” de aplicativos direcionados ao ramo alimentício se deu com a criação do Ifood, que foi o primeiro app com o layout de cardápio de comida que fez realmente sucesso no Brasil. Isso aconteceu em 2011 e desde então a rede só se expande, hoje está presente em vinte e sete capitais nacionais. Desde sua criação a plataforma já cresceu mais de 120% e atende aproximadamente 6,6 milhões clientes por mês.

Em 2016 o aplicativo ampliou suas fronteiras para mais países, sendo eles México, Colômbia e Argentina, conquistando o posto de maior plataforma de delivery de comida da América Latina. A maior façanha é a diversidade do cardápio, todos os tipos de gostos podem ser atendidos, desde os grupos de comidas aos preços, atendendo todo o público. A cada segundo dois pratos são enviados.

Além desse contato com o cliente que consome no aplicativo, existe ainda o contato com o cliente que vende pelo aplicativo, são os restaurantes que divulgam através da plataforma. O Ifood oferece uma consultoria para todos os restaurantes sobre as vendas, sobre o negócio, sobre formas de melhorar o rendimento. Sem contar a praticidade da possibilidade de o pagamento ser feito online.

A proximidade com o público é a “grande sacada” do século, a plataforma oferece um serviço diferenciado, disponibilizando cupons de desconto constantemente, principalmente para seus usuários mais fiéis e ainda se propõe a ouvir o consumidor, fazendo questão de suas avaliações sobre os serviços e se propondo a elevar os padrões. Quanto mais a população adere ao mobile, maior é a adesão também aos aplicativos, a facilidade e a praticidade da vida virtual conquista a maioria muito rapidamente, por isso cada vez mais surgem mais e mais serviços para o meio.

Mas também é importante analisar os malefícios que podem gerar. A comodidade que os aplicativos causam, especificamente os de comida, pode gerar uma dependência. Dentre os alimentos mais pedidos, não se encontra nenhum saudável. De 59% da população brasileira que pede comida em casa, o tipo de refeição mais consumida é pizza.

Essa é uma das maiores preocupações da nutricionista Gabriela Silva, 30 anos, que diz ser um péssimo hábito pedir comida. Quando a pessoa cozinha, ela sabe todo o processo pelo qual a comida vai passar, é uma relação mais saudável. A tendência é optar por processos mais saudáveis, o cuidado é maior. Esse procedimento não é o mesmo quando a comida é recebida em casa já pronta, Gabriela até brincou sobre ser como no ditado popular: “O que os olhos não veem, o coração não sente”.

A grande luta com seus pacientes é fazê-los ter uma relação mais íntima com os alimentos e livrá-los do hábito de delivery de comida, claro, quando há possibilidade de haver uma flexibilidade no tempo. “A maioria dos meus pacientes, principalmente os mais jovens, têm o costume de pedir comida e isso, na maioria das vezes, é meu maior problema, com todo aquele cardápio de delícias, é difícil que eles optem pelo mais saudável”. Mesmo com orientação é difícil renunciar a opção mais prática e fácil, por isso o mercado de aplicativos delivery para comida só aumenta.

Observando a grande demanda, a empresa Uber, famosa por suas viagens a preços mais acessíveis, criou a vertente UberEATS, que não tem a função de locomover pessoas, mas sim de levar a comida ao cliente. O serviço chegou ao Brasil em dezembro de 2016 com um grande diferencial, nele há possibilidade de acompanhar o percurso que o seu pedido faz. Desde a saída do restaurante, até a chegada na sua casa, o app permite que você observe em tempo real o trajeto que o entregador está fazendo.

No UberEATS você seleciona o restaurante parceiro desejado, escolhe exatamente o pedido e o entregador parceiro o retira e leva até você. Possui a opção de pagar online ou fisicamente na hora da entrega. Outro diferencial do aplicativo é que mantém uma taxa fixa sobre os pedidos, ocorrendo variações apenas em horários de pico e ainda possibilita que o cliente agende entregas. Como se pode ver, o mercado de aplicativos só cresce, surgindo cada vez mais concorrentes para fomentar a área.

De acordo com Jonathas Guerra, 29 anos, analista de sistema sênior focado em mobile e web, criador de mais de 40 app´s, o crescimento desse mercado se dá pela facilidade e pelo baixo custo dos aparelhos. Pois antigamente, há dez anos atrás, a acessibilidade era muito precária, pouquíssimas pessoas tinham acesso aos aparelhos celulares. Já hoje em dia o cenário é completamente diferente. “Se você for a uma comunidade, um lugar de baixíssima renda, as pessoas ainda estão passando fome, mas elas têm um celular bom na mão, então por isso que o mercado cresceu tanto”.

Outro grande fator que impulsionou o crescimento desse setor foi a venda online, o paradigma de que não podia cadastrar o cartão de crédito online acabou, o ambiente virtual se tornou mais seguro e confiável. Por todas essas funções possibilitadas através do mobile, o aparelho celular se tornou uma extensão do homem, hoje as pessoas levam consigo um computador que cabe no bolso e ainda podem ser mais potentes que muitas máquinas. Apesar do grande sucesso do mobile, Jonathas afirma que a tela maior do computador ainda é muito necessária para certas funções, pelo menos por enquanto.

COMO CRIAR SEU APLICATIVO

O cliente chega com a ideia, e Jonathas sugere que ele faça o documento de requisito, que seria, transcrever toda a ideia, o passo a passo do projeto, por exemplo o que teria na tela 1: login, senha e opção de cadastro. Já na tela 2: mostrar a listagem do produto que ela quer vender ou exibir ou notícias dependendo do tipo de aplicativo. Depois de feito esse resumo, ele faz o documento de requisito, que é separado em módulos para poder precificar e colocar prazo.

Para criar um aplicativo hoje é necessário basicamente a ideia e o financiamento, mas Jonathas diz ser muito importante também pesquisar sobre o assunto, pesquisar o mercado de trabalho. Pois as vezes o mercado já tem aquela demanda, então precisa ser feita uma análise e persistência. “Só a ideia não vale de nada, a pessoa precisa levar aquilo à frente e persistir”.

No caso do Jonathas, ele não trabalha com a manutenção do aplicativo, o cliente o procura com a ideia e ele precifica de acordo com o projeto, no momento que termina, o código fonte é do cliente, o pagamento é efetuado e a relação acaba ali, não tem nenhum valor a ser pago a longo prazo. A única coisa que é paga é o servidor.

Fonte: avidaemaplicativos