Disney+e Netflix | Cinco diferenças entre os serviços de streaming

Apesar de toda a conversa sobre rivalidade entre as empresas, as duas plataformas terão pouca coisa em comum

Na última semana, a Disney jogou uma bomba na Netflix, anunciando um pacote de US$ 13 por mês para todos os seus serviços de streaming. Quando for lançado em 12 de novembro, o pacote incluirá Disney+, Hulu e ESPN+, tudo pelo mesmo preço que o plano mais popular da Netflix. O Disney+ custará US$ 7,00 por mês, enquanto Hulu e ESPN + custarão US$ 6 e US$ 5 mensais, respectivamente, se forem comprados de maneira separada.

Repórteres e analistas rapidamente lançaram o pacote Disney+ como um ataque à Netflix, o que faz sentido em algum nível. Duas empresas não captam bem o conflito entre a velha e a nova mídia, como a Disney e a Netflix, e ambas estarão competindo por tempo e dinheiro preciosos na era do corte de cabos.

Só que a verdade é que o Disney+ e a Netflix terão pouco em comum. Desde a precificação e embalagem até a publicidade e o próprio conteúdo, as duas companhias adotam abordagens opostas para quase todos os aspectos do streaming de vídeo.

Propostas diferentes

Cada um dos serviços de streaming da Disney tem como alvo um público separado, ou pelo menos gostos discretos. O Disney+ se concentra em séries de sucesso com apelo familiar, como as franquias Star Wars e Marvel. O Hulu, por sua vez, é mais para audiências maduras, com séries como The Handmaid’s Tale. E ESPN+ é para fãs de esportes. É razoável supor que algumas pessoas assinam o serviço que melhor se alinha às suas preferências.

Enquanto a Disney oferece um serviço à la carte – com um grande desconto para agrupar tudo -, a Netflix é mais como um buffet à vontade. Embora não ofereça nenhum conteúdo esportivo, ela tenta combinar programas para crianças, para toda a família e atrações maduras em um único pacote. Os níveis de preço da Netflix baseiam-se na qualidade do vídeo e no número de fluxos simultâneos que um assinante é permitido, e a empresa disse que está comprometida com essa estrutura fixa por um longo período.

Diferentes abordagens para o conteúdo

As principais atrações da Disney+ são franquias e marcas reconhecíveis, com conteúdo dos universos Star Wars e Marvel, filmes da Disney e da Pixar, todos os episódios de The Simpsons (graças à aquisição da 21st Century Fox) e conteúdo da National Geographic Partners. A Disney até anunciou que vai lançar com exclusividade um remake de Esqueceram de Mim.

Por contraste – e por necessidade -, a Netflix tem adotado uma abordagem diferente. Como não pode se apoiar em uma série de franquias históricas, está procurando fechar uma parceria própria com grandes criadores de conteúdo. A empresa adquiriu a editora de revistas em quadrinhos Millarworld há dois anos (com o fundador Mark Millar sendo elogiado como um “Stan Lee moderno” no boletim de imprensa da Netflix), e também comprou os direitos dos quadrinhos Extreme Universe na esperança de ter a própria marca de super-heróis. A Netflix também trouxe criadores de TV como Shonda Rhimes (Grey’s Anatomy, Scandal) e Ryan Murphy (American Horror StoryPose) para contratos de vários anos. Tem até um acordo de produção com Barack e Michelle Obama. O conteúdo resultante será muito diferente do que está disponível na Disney+ ou até mesmo no Hulu.

Atitudes diferentes em relação à publicidade

Ao longo dos anos, a Netflix insistiu que nunca terá comerciais. Embora a empresa não esteja acima dos canais de produtos, como forma de reduzir os custos de produção ou promover seus serviços com grandes marcas, a visualização sem interrupções é um dos principais pontos de venda da Netflix.

A Disney não é tão zelosa quanto à visualização sem anúncios. Embora o Disney+ seja livre de anúncios, o pacote de US$ 13 por mês incluirá a versão do Hulu suportada por anúncios, em vez da versão sem anúncios que normalmente custa US$ 12 por mês, e escalar o negócio de anúncios do Hulu é uma das razões está agrupando o serviço em primeiro lugar. “Se este pacote servir para aumentar os assinantes Hulu de forma mais agressiva, isso será muito valioso no lado da publicidade”, disse Bob Iger, CEO da Disney, à CNBC. Enquanto isso, o presidente da ESPN, Jimmy Pitaro, manifestou interesse em trazer mais ESPN+, incluindo patrocínios que apresentam uma marca de destaque durante eventos esportivos.

Diferentes modelos de negócios

O modelo de negócios da Netflix é bem direto: mais assinantes equivalem a mais dinheiro, o que a Netflix pode usar em mais conteúdo para atrair mais assinantes.

O negócio por trás do Disney+ é muito mais complexo: além de gerar receita com assinaturas, a Disney pode ganhar dinheiro com o merchandising de suas marcas populares e atrair mais pessoas para seus parques temáticos, resorts e cruzeiros. A Disney espera que seu serviço de streaming perca dinheiro por pelo menos cinco anos, mas como o estrategista de mídia e escritor Matthew Ball apontou, a empresa ainda pode sair na frente criando mais fãs que gastarão mais dinheiro no amplo ecossistema da Disney.

Há espaço para ambos

Apesar da narrativa de Disney versus Netflix como um jogo em que o vencedor leva tudo, as duas empresas estão claramente em caminhos diferentes no negócio de streaming, e o resultado será dois serviços de streaming distintos. Alguns espectadores preferirão o foco da Netflix em novas ideias e seu compromisso com a visualização livre de anúncios, enquanto outros se concentrarão nas franquias reconhecíveis da Disney e no valor de agregar seus serviços juntos. Outros ainda encontrarão espaço em seus orçamentos para ambos, ou percorrerão os diferentes serviços conforme suas necessidades – e o conteúdo dos serviços – evoluir. A escolha será sua.

Fonte: pcworld.com.br