Criptomoedas precisam de regulação para não perturbarem sistema mundial, diz G7

Grupo se opõe à ideia de que empresas tenham os mesmos privilégios que as nações na criação de meios de pagamento

O avanço das criptomoedas tem despertado preocupações em autoridades de todo o mundo. Na quinta-feira, 18/7, os ministros das finanças e os bancos centrais do G7 alertaram sobre a necessidade de regulamentação das moedas digitais para garantir que o sistema financeiro mundial não seja perturbado. As informações são da Reuters.

Conforme aponta a agência de notícias, o ministro das finanças da França, Bruno Le Maire, afirmou que o grupo se opõe à ideia de que empresas tenham os mesmos privilégios que as nações na criação de meios de pagamento. “Não podemos aceitar empresas privadas emitindo suas próprias moedas sem controle democrático”, disse Le Maire.

Ao que tudo indica, a resposta do G7 aos sistemas de criptomedas está relacionada ao anúncio recente do Facebook, que em 18 de junho apresentou a Libra, sua própria moeda virtual com pretensão de atuar globalmente. Nesse cenário, as autoridades estão receosas sobre a invasão das gigantes da tecnologia em áreas que pertencem aos governos. Para o grupo, as ambições da rede social podem não só enfraquecer o controle sobre políticas monetárias e bancárias, mas também representar riscos de segurança para a população.

“Uma estabilidade global para fins de varejo poderia propiciar remessas mais rápidas e baratas, estimular a competição por pagamentos e, portanto, reduzir custos, e apoiar maior inclusão financeira”, disse Benoit Coeure, presidente da diretoria, ao G7. “No entanto … eles dão origem a uma série de riscos relacionados a prioridades de políticas públicas, incluindo combate à lavagem de dinheiro e combate ao financiamento do terrorismo, proteção de consumidores e dados, segurança cibernética, concorrência justa e cumprimento de impostos”, completou.

Durante a discussão, o G7 também concordou que as gigantes da tecnologia, como Google, Amazon, Facebook e Apple, devem ser taxadas nos países em que geram receita, mesmo que não estejam presentes fisicamente. “Um nível mínimo de tributação efetiva, como, por exemplo, o regime GILTI dos EUA, contribuiria para garantir que as empresas pagassem sua parcela justa de impostos”, defendeu Coeure.

Para regulamentar a taxação, diversos países estão desenvolvendo esboços de novos regimes possíveis. Membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) já estão trabalhando na construção do documento, que deve ser anunciado até o final de 2020.

Fonte: itmidia.com