Aquecimento global tornará energia solar menos eficiente

Mudanças na quantidade de luz solar em diferentes partes do mundo será a principal causa para as dificuldades

A energia solar é uma maneira importante para a redução da dependência de combustíveis fósseis, bem como uma das grandes esperanças de fontes renováveis para ajudar a reverter o aquecimento global. Porém, segundo informações do MIT Technology Rewiew, as mudanças climáticas terão um impacto significativo na geração desse tipo de energia.

De acordo com os cientistas, as mudanças na quantidade de luz solar em diferentes partes do mundo será a principal causa para as dificuldades. Com o aquecimento global, algumas áreas terão maior exposição ao sol e outras menos, o que influenciará diretamente na produção de energia solar.

As alterações exatas são difíceis de calcular, mas pesquisadores, políticos e empresas estão buscando formas de prever como as áreas do planeta serão afetadas. Na última semana, Ian Peters e Tonio Buonassisi, do MIT, mostram que mais um fator deve ser levado em consideração: a temperatura, pois a saída de células fotovoltaicas diminui à medida que se aquecem.

Os cientistas explicam que as células fotovoltaicas criam corrente quando a luz solar transfere energia para os elétrons no material. Esse processo também cria “buracos” carregados positivamente na estrutura que fluem na direção oposta aos elétrons. Para a eficiência das células, um ponto importante é a taxa na qual os elétrons se recombinam com os “buracos”, e essa taxa é altamente sensível à temperatura: quanto mais quente, maior a taxa de recombinação.

É provável que esse processo tenha um papel significativo conforme o planeta se aquece. Para Peters e Buonassisi, a produção de energia fotovoltaica reduz em 0,45% para cada aumento de temperatura, em média.

Baseando-se na mudança de temperatura prevista pelo Painel Internacional sobre Mudança Climática, os pesquisadores usam o chamado Representative Concentration Pathway 4.5, no qual as emissões de gases que causam o efeito estufa atingem o pico em 2040 e aumentam a temperatura global em 1,8 graus Kelvin até 2100.

“À medida que as temperaturas sobem quase em toda parte da massa terrestre de nosso planeta, a produção de energia é reduzida em todos os lugares”, dizem os estudiosos. Mas algumas áreas estarão em pior situação do que outras. “As áreas que são especialmente afetadas incluem o sul dos Estados Unidos, a África Austral e a Ásia Central.”

Ainda conforme os cientistas, outros fatores também influenciarão a liberação de energia das células fotovoltaicas, como a cobertura de nuvens e a umidade. Todos esses aspectos mostram que as autoridades precisam considerar as consequências do aquecimento global para o planejamento energético futuro.

Fonte: pcworld.com.br