A aplicação de IA na educação da China

China tem demonstrado resultados positivos na maneira de usar a Inteligência Artificial na vida de professores e alunos

No campo da tecnologia, as decisões anunciadas pelo Vale do Silício ditam as tendências no mundo inteiro. Não é de hoje que grandes empresas, como as fundações de Mark e Chan Zuckerberg e de Bill e Melinda Gates, também valorizam – e investem – no setor da Educação. Especialmente no que diz respeito à inteligência artificial (AI, na sigla em inglês) dentro de sistemas de ensino e, mais efetivamente, nas salas de aulas.

A China, em estâncias governamentais, corre lado a lado. Para alguns profissionais da Educação, tanta revolução pode causar receio. O que vemos é que as possibilidades tecnológicas estão sendo testadas no ensino – e, em minha opinião, temos que explorá-las de forma sábia.

Os chineses têm nos ensinado que há formas de usar a AI de forma simples, influenciando positivamente na rotina dos alunos e dos professores e criando soluções. Um dos esforços do país oriental está em estabelecer métodos mais práticos para corrigir provas e testes de alunos, dando um feedback proveitoso e qualificado para cada um deles.

Calcula-se que sejam 188 milhões de chineses nas salas de aulas e 14 milhões de professores. Em 2017, a China já fazia prospecções de como seria mais fácil corrigir testes com um “superprofessor”, um robô criado para dar retorno a pouco mais de 500 milhões de perguntas mais usadas nos testes do Ensino Médio do país.

No mesmo ano, aliás, os estudantes de lá se sentiram desafiados com a máquina que respondeu ao gaokao, o teste de matemática feito pelos jovens para entrar na faculdade, bastante temido por seu grau de dificuldade. Sabemos que a máquina não superou o homem (ela fez pontuações aproximadas dos estudantes), mas o país inteiro parou para assistir a capacidade ao acertar 105 de 150 pontos.

Fato é que a AI é uma poderosa ferramenta para o sistema educacional. É possível ajudar alunos com aplicativos de testes que os desafiam exatamente naquilo que eles têm dificuldades, corrigir respostas escritas de equações, por meio da leitura de fotos, e emitir feedbacks precisos, mostrando o exato local do erro, e o que fazer para corrigir.

Na sala de aula, mais ajuda. O robô pode ajudar a mapear as principais dificuldades de um grupo de alunos e direcionar os esforços dos professores para que as aulas rendam mais e sejam mais diretas para a solução dos problemas. Sobra mais tempo, nesse sentido, para os docentes se dedicarem à capacitação e ao empenho individual dos estudantes. O que estamos assistindo, assim, é um programa chinês de educação que serve de exemplo para o mundo inteiro.

Isso porque o governo chinês colocou, há certo tempo, a liderança no uso de AI na Educação como uma meta palpável. E, claro, está contando com alguns fatores para que isso se realize.

Destaco três nesse processo: os incentivos fiscais para as empresas de AI, o acirramento da concorrência acadêmica do país (ou seja, todo mundo quer estar preparado e com os melhores métodos de ensino) e o refinamento de dados e de algoritmos formatados pelos “rastros digitais” que o chinês já está acostumado a deixar por décadas. Tudo isso faz com que máquina e homem trabalhem juntos dentro do setor, estrategicamente, para que o aprendizado chinês se eleve a novo patamar.

Fonte: itmidia.com